PF aponta esquema que unia grupo empresarial e facção criminosa para fraudar bancos
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Uma investigação da Polícia Federal revelou a existência de um esquema sofisticado de fraudes bancárias e lavagem de dinheiro que envolvia o Grupo Fictor e integrantes da facção criminosa Comando Vermelho. De acordo com as apurações, ambos utilizavam a mesma estrutura para movimentar recursos ilícitos e enganar instituições financeiras.
O esquema funcionava por meio da criação de empresas de fachada, movimentações financeiras simuladas e uso de “laranjas” para dar aparência de legalidade às operações. Essas empresas eram registradas com dados padronizados e, inicialmente, mantinham atividades regulares para ganhar credibilidade no mercado.
Com o tempo, os envolvidos passavam a inflar faturamentos por meio de documentos manipulados, facilitando a obtenção de crédito em bancos. Além disso, transações artificiais eram realizadas para gerar histórico financeiro e aumentar a confiança das instituições.
A investigação também aponta a participação de funcionários de bancos, que inseriam dados falsos nos sistemas para liberar crédito e viabilizar operações fraudulentas.
Segundo a Polícia Federal, o modelo criado pelo grupo empresarial acabou sendo aproveitado por integrantes do crime organizado para lavar dinheiro do tráfico de drogas. Após circular pelas empresas fictícias, os valores eram convertidos em bens de luxo e até criptomoedas, dificultando o rastreamento.
A operação, batizada de Fallax, foi deflagrada em três estados e já resultou na prisão de ao menos 15 pessoas. O prejuízo causado às instituições financeiras pode ultrapassar R$ 500 milhões.
Os investigados poderão responder por crimes como organização criminosa, estelionato, lavagem de dinheiro e corrupção, com penas que podem ultrapassar 50 anos de prisão.